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Televisão de Alta defenição TVHD
Televisão de Alta defenição TVHD
Uma característica básica de uma imagem de televisão é a sua resolução (ou definição), medida em número de linhas horizontais ou em número de pontos totais, também chamados de pixels. Basicamente, a resolução de uma televisão refere-se à quantidade de linhas que compõem cada imagem. Uma imagem da televisão standard de baixa definição, na Europa, consiste em 625 linhas (de que somente 575 são visíveis no ecrã). Este formato é conhecido como PAL. Fora da Europa o formato mais usado é o NTSC, com 525 linhas (por exemplo nos EUA). No caso da HDTV, a imagem consiste em 1080 linhas horizontais e 1920 verticais, que explica imediatamente porque a definição de HDTV é superior ao PAL ou ao NTSC.
Existem actualmente mais de 40 diferentes sistemas de televisão, incluindo os já conhecidos PAL, SECAM (França) e NTSC. Estes sistemas são incompatíveis uns com os outros.
Uma longa história
A pesquisa em HDTV começou nos Estados Unidos no início dos anos de 1970 e foram necessárias quase duas décadas para se definir um padrão mundial.
Entretanto, o mercado da Alta Definição conheceu novas evoluções e várias etapas: o aparecimento de Hi-Vision, o primeiro canal de televisão a emitir em Alta Definição (1991), o sistema "AD Mac", muito utilizado em 1992 durante os Jogos Olímpicos de Albertville e Barcelona e ainda durante a "Expo" de Sevilha, etc.
Na Europa, a indústria de electrónica e a União Europeia concordaram em 1992 em iniciar a TV de alta definição em 1999, mas o primeiro canal a transmitir com a tecnologia surgiu apenas em 2004 (o "1080", lançado em Janeiro desse ano), continuará sendo o principal canal europeu em alta definição, pelo menos até ao lançamento do canal alemão Premier, em breve. Algumas emissoras, quer nos EUA, quer na Europa, já fazem uma emissão mista, com parte da emissão em alta definição. Uma das razões para a primeira encarnação da HDTV ter atrasado tanto é que a indústria planeou primeiro uma versão analógica da tecnologia, mas depois percebeu que teria que mudar para um formato digital para usar o espectro de frequências e capacidade de rede de maneira mais eficiente.
O campeonato do Mundo de futebol de 2006 pode dar à HDTV o impulso que ela precisa e espera, da mesma forma que, no campeonato de 1974, muitas residências trocaram os seus aparelhos a preto e branco por modelos a cores.
A implantação da televisão de alta definição
A ideia de televisão de Alta Definição não é nova, contudo, o desenvolvimento da tecnologia e a aceitação por parte dos consumidores só agora começa a ganhar dimensão. A digitalização das redes de difusão é o passo mais importante para a sua massificação.
O início da era da digitalização fez-se, primeiro com o cabo e o satélite, depois com as redes hertzianas terrestres. A digitalização oferece vantagens importantes: uma maior resistência do sinal às perturbações, a diminuição sensível dos custos de difusão, o aumento do número de canais, a possibilidade de receber as emissões em terminais móveis, entre outras.
Mesmo bastante antes da chegada da HDTV, já os DVDs vieram reajustar os standards da imagem animada. Suplantando a cassete VHS, o DVD fez emergir as imperfeições da imagem clássica. Esta diferença acentuar-se-á com a chegada dos DVD de Alta Definição. De forma semelhante, os ecrãs planos de grandes dimensões fazem emergir as insuficiências dos standards actuais.
A televisão digital
A televisão digital usa um modo de modulação e compressão digital para enviar vídeo, áudio e sinais de dados aos aparelhos compatíveis com a tecnologia, proporcionando assim transmissão e recepção de maior quantidade de conteúdo por uma mesma frequência (canal).
Os padrões em operação comercial são capazes de transportar até 19 Mbps. Em termos práticos, isso significa um programa em alta definição, que ocupa 15 Mbps, ou quatro programas em definição padrão, que consomem 4 Mbps cada. Os modos de difusão possíveis são o hertziano terrestre (o de menor custo), cabo, satélite, ADSL e outras ligações em banda larga.
O ecrã dos monitores ou ecrãs digitais passa assim do formato 4:3, típico da TV analógica, para o formato 16:9, mais próximo do formato panorâmico de um ecrã de cinema. Com a TV digital, o som passa para seis canais (padrão utilizado pelos mais sofisticados equipamentos de som e home-theaters), através da norma Dolby Digital 5.1
A HDTV permite interactividade; possibilidade de gravação digital de programas e múltiplas emissões de programas. A transmissão de um mesmo programa em horários descontínuos (um filme, por exemplo, iniciando de 15 em 15 minutos) em diversos canais permitirá que o utilizador tenha diversas oportunidades para assistir ao programa desejado num horário escolhido.
Codificação MPEG (Moving Pictures Experts Group)
O padrão MPEG-1 (ISO-IEC 11172a) destina-se à compressão de vídeo não entrelaçado, com taxa de informação até 1,5 Mb/s, aplicável a vídeo-conferência e multimédia em CD-ROM; já o padrão MPEG-2 (ISO13818) destina-se à compressão de imagens entrelaçadas, com taxas de 1,5 a 100 Mb/s em aplicações de TV convencional e HDTV.
A partir de 2008 espera-se que o formato MPEG-4 venha substituir o MPEG-2 na televisão digital. Algumas vantagens do MPEG-4 são a possibilidade de ser recebido por qualquer aparelho, incluindo telemóveis; aumenta em muito as taxas de compressão da imagem e áudio, com ganhos muito importantes em termos de largura de banda (ou seja, capacidade) requerida para a sua transmissão; possibilita ainda a inclusão, de forma interactiva, de texto, animações ou objectos 3D.
A origem do formato panorâmico 16:9 da HDTV
Pesquisas feitas no Japão pela NHK, na década de 70, identificaram a viabilidade de um formato de TV capaz de proporcionar "uma nova experiência visual" ao espectador, similar à sensação conferida pelo cinema. Estas pesquisas culminaram com a adopção de uma imagem com proporções de 16:9, dimensionada para visualização sob um ângulo horizontal de 30 graus, formato este denominado Hi-Vision. 16:9 significa que a razão (ou aspect ratio) entre a largura e a altura das medidas de um ecrã panorâmico HDTV é de 16 para 9. Este formato (actualmente classificado como HDTV ou TV de Alta Definição), além de aproveitar melhor o material cinematográfico disponível em grande ecrã, abrange ainda parte do campo de visão periférica do observador, o que proporciona um nível mais intenso de ilusão de realidade.
O ângulo visual aproximado de 10 graus da TV convencional abrange a chamada visão central do observador. É a parte da visão mais sensível a detalhes e à cor. A visão periférica, por outro lado, possui maior sensibilidade ao movimento, e contribui para a sensação de equilíbrio do espectador. O sistema Hi-Vision original, cuja radiodifusão comercial se iniciou em 1985 no Japão, é caracterizado por 1035 linhas visíveis, com 1840 elementos de imagem por linha, 60 campos entrelaçados por segundo.
Actualmente, o formato preferencial para HDTV foi padronizado em 1080 linhas x 1920 pixels, mantendo a proporção de 16 para 9.
Os dois diagramas seguintes apresentam a relação entre alguns formatos, nomeadamente o convencional 4:3 (480×640 pontos) e o panorâmico 16:9 (1080×1920 pontos). Note-se que o nível de detalhe aumenta em 5 vezes quando se passa de um sistema convencional para um sistema de alta definição.
HDTV em Portugal
A Cabovisão, segunda maior operadora portuguesa de televisão a cabo, é parceira da Euro 1080 e transmite o canal HD1. A televisão de alta definição já é realidade nos Estados Unidos e no Japão, onde dezenas de canais de alta qualidade são transmitidos pelas redes de satélite e cabo, mas na Europa ainda é novidade.
A programação do HD1 inclui um bloco diário de seis horas de transmissão, que é repetido três vezes ao dia, com conteúdos de vários países filmados em alta resolução. O conteúdo vai desde desporto a apresentações musicais, passando pelo entretenimento, como filmes e documentários.
Evolução actual da HDTV
Existem alguns obstáculos que a indústria de bens electrónicos de consumo terá de enfrentar para promover o HDTV, em particular a fraqueza da economia (custo ainda elevado dos aparelhos) e a falta de programas de qualidade transmitidos no novo padrão.
Não obstante, a confiança dos fabricantes é grande e pesquisas de mercado sugerem que a TV de alta definição pode crescer mais rápido do que os televisores a preto e branco, quando estes surgiram. Foram precisos 25 anos para que 80 por cento dos domicílios tivessem um televisor branco e preto, percentagem que a HDTV deve atingir em 15 anos. No caso dos televisores a cores, o prazo necessário foi de 21 anos.
As TVs de ecrãs planos não são necessariamente equivalentes aos modelos de alta definição, mas muitos dos novos aparelhos com ecrãs de plasma e de cristal líquido (LCD) são capazes de operar com as 1.080 linhas de definição do sistema HDTV, propiciando uma imagem cinco vezes mais detalhada do que a gerada por um televisor de definição convencional.
Neste artigo não abordamos as diferentes tecnologias de tipos e de tecnologias para ecrãs panorâmicos. Esperamos fazê-lo na próxima ou numa das próximas edições.
Conclusão
Diz quem já se habituou à TV de alta definição que não sabe como viveu tanto tempo com o já velhinho standard 4:3. De qualquer forma, antes de se decidir pela aquisição de um sistema 16:9 convém ter em conta quando e em que condições terá acesso a programação em alta definição.
A completa transição do sistema standard actual para o HDTV levará o seu tempo e muito ainda há por fazer, envolvendo o esforço coordenado de fabricantes, emissoras, produtores, distribuidores de sinal e legisladores
"NESI 07-11-2005"
